As Aparências Enganam 2

Num orfanato, igual a tantos outros que enxameiam por toda parte, havia uma pobre órfã, de oito anos de idade.
 
Era uma criança lamentavelmente sem encantos, de maneiras desagradáveis, evitada pelas outras, e francamente malquista pelos professores.
 
Por essa razão, a pobrezinha vivia no maior isolamento. Ninguém para brincar, ninguém para conversar...
 
Sem carinho, sem afeto, sem esperança... Sua única companheira era a solidão.
 
O diretor do orfanato aguardava ansioso uma desculpa legítima para livrar-se dela.
 
E um dia apresentou-se, aparentemente, uma boa desculpa. A companheira de quarto da menina informou que ela estava mantendo correspondência com alguém de fora do orfanato, o que era terminantemente proibido.
 
- Agora mesmo, disse a informante, ela escondeu um papel numa árvore.
 
O diretor e seu assistente mal puderam esconder a satisfação que a denúncia lhes causara.
 
Vamos tirar isso a limpo agora mesmo, disse o superior.
 
E, somando-se ao assistente, pediu para que a testemunha do delito os acompanhasse a fim de lhes mostrar a prova do crime.
 
Dirigiram-se os três, a passos rápidos, em direção à árvore na qual estava colocada a mensagem.
 
De fato, lá estava um papel delicadamente colocado entre os ramos.
 
O diretor desdobrou, ansioso, o bilhete, esperando encontrar ali a prova de que necessitava para livrar-se daquela criança tão desagradável aos seus olhos.
 
Todavia, para seu desapontamento e remorso, no pedaço de papel um tanto amassado, pôde ler a seguinte mensagem:
 
"A qualquer pessoa que encontrar este papel: eu gosto de você."
 
Os três investigadores ficaram tão decepcionados quanto surpresos com o que leram.
 
Decepcionados porque perderam a oportunidade de livrar-se da menina indesejável, e surpresos porque perceberam que ela era menos má do que eles próprios.
 
......................................
 
Quantos de nós costumamos julgar as pessoas pelas aparências, embora saibamos que estas são enganadoras.
 
E o pior é que, se as aparências não nos agradam, marcamos a pessoa e nos prevenimos contra ela e suas atitudes.
 
Uma antiga e sábia oração dos índios Siuox, roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias.
 
Isto quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos.
 
Aqueles que talvez ela queira esconder de si mesma, para proteger-se dos sofrimentos que a sua lembrança lhe causaria.

Fonte: revista Seleções do Reader's Digest, maio de 1945.

Published terça-feira, 14 de outubro de 2008 9:13 by Paleo

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